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O ERP que responde: como a inteligência artificial está mudando a forma de decidir

Por muito tempo, o ERP foi o lugar onde os dados da empresa moravam  e o lugar onde alguém precisava ir procurá-los. Um relatório aqui, […]

Por muito tempo, o ERP foi o lugar onde os dados da empresa moravam  e o lugar onde alguém precisava ir procurá-los. Um relatório aqui, um filtro ali, uma planilha exportada para cruzar com outra. A informação sempre esteve lá dentro. O trabalho estava em chegar até ela.

Isso está mudando. A nova geração de sistemas de gestão não espera mais que o usuário vá atrás do dado, ela antecipa a pergunta e entrega a resposta.

Não é hype: o que os números mostram

A movimentação em torno de IA em sistemas de gestão não é só discurso de fornecedor. Consultorias como The Business Research Company e Precedence Research acompanham esse mercado de perto, e mesmo com metodologias diferentes, todas apontam na mesma direção: o mercado global de IA aplicada a ERP já ultrapassa a casa dos US$ 4,5 a 5,8 bilhões em 2025, com projeções de crescimento acelerado — entre 18% e 27% ao ano, dependendo da consultoria — ao longo dos próximos anos (fontes: The Business Research Company; Precedence Research; Research and Markets).

No Brasil, o retrato é de uma adoção ainda em curva ascendente. A pesquisa TIC Empresas 2025, do Cetic.br/NIC.br, mostra que a proporção de empresas brasileiras usando IA saltou de 13% em 2024 para 17% em 2025 — e entre as grandes empresas, o salto foi de 38% para 50% no mesmo período (fonte: Cetic.br). Já o Panorama IA 2025, estudo da TOTVS em parceria com a h2r insights & trends, mostra que metade das empresas brasileiras ainda não usa IA de forma estruturada, e que entre as que já usam, a maioria (58%) está em estágio inicial de adoção (fonte: TOTVS/h2r).

O dado mais próximo da realidade de quem usa ERP no dia a dia vem de uma pesquisa da Qive em parceria com a Endeavor, focada em áreas de backoffice: apenas 21% das empresas já integram IA à rotina fiscal e financeira, mas 54% planejam começar a partir de 2025 (fonte: Qive/Endeavor, Panorama de Gestão Fiscal e Financeira). Ou seja: a maior parte do mercado brasileiro ainda está decidindo como e quando dar esse passo — o que torna a diferenciação, agora, mais valiosa do que depois que virar padrão.

Da tela cheia de números à resposta direta

O caminho que a maioria dos ERPs percorreu foi sempre o mesmo: primeiro, o sistema integra a operação — financeiro, compras, vendas, estoque, tudo num só lugar. Depois, vêm os dashboards, que pegam esse volume de dados e transformam em gráficos e indicadores visuais. É um baita avanço em relação à planilha solta, mas ainda exige que alguém saiba onde olhar, o que filtrar, e tenha tempo para interpretar o que está vendo.

A inteligência artificial entra como uma terceira camada nessa evolução. Não substitui o ERP nem o dashboard — ela os torna conversáveis. Em vez de abrir um menu, escolher um filtro e esperar o gráfico carregar, o gestor simplesmente pergunta. E recebe de volta não só o número, mas o contexto: o que aconteceu, como isso se compara ao período anterior, e o que talvez mereça atenção.

O que, na prática, a IA já consegue fazer dentro de um ERP

Relatórios de mercado sobre o setor costumam agrupar as funcionalidades de IA em ERP em algumas categorias recorrentes — praticamente todo fornecedor grande do mundo (SAP, Oracle, Microsoft) já embarca alguma versão delas em seus produtos:

  • Previsão e planejamento — projeção de fluxo de caixa, demanda e estoque com base em séries históricas, em vez de planilha de projeção manual. O ganho não é só velocidade: é reduzir o efeito “descobri tarde demais” em um caixa apertado.
  • Automação de tarefas repetitivas — conciliação, lançamento e conferência de dados que hoje consomem horas de um time operacional. Em manutenção preditiva, por exemplo, esse tipo de automação já reduz paradas não planejadas em mais de 30% em ambientes industriais que adotaram a tecnologia (fonte: Technavio).
  • Detecção de anomalias — identificar um padrão fora do esperado (uma queda de faturamento, um atraso incomum, uma inadimplência subindo numa filial específica) antes que alguém precise notar manualmente olhando gráfico por gráfico.
  • Assistentes em linguagem natural — a camada mais visível, que permite perguntar em vez de navegar por menus e filtros. É a diferença entre “abrir 4 telas para montar uma resposta” e “só perguntar”.
  • Análises preditivas — não só mostrar o que aconteceu, mas indicar tendência e direção, cruzando períodos automaticamente em vez de exigir que alguém monte a comparação manualmente.

A maior parte do mercado ainda usa essas camadas de forma pontual e isolada. O salto de maturidade não está em ter uma dessas funcionalidades — é em integrá-las ao fluxo de trabalho de quem decide, dentro do sistema que a empresa já usa todos os dias.

Como isso funciona, na prática

Vale destrinchar um pouco o mecanismo, porque “IA que entende seus dados” pode soar abstrato demais. Na prática, esse tipo de assistente combina duas coisas: acesso direto às tabelas e indicadores que já existem dentro do ERP, e um modelo de linguagem treinado para traduzir uma pergunta em português comum (“como estão as vendas desse mês?”) na consulta técnica correspondente — sem que o usuário precise saber o que é uma tabela, um filtro ou uma query. A resposta que volta não é um despejo de dados brutos: é uma leitura já processada, com o número, a comparação e, quando faz sentido, uma explicação do porquê.

É por isso que a demanda não é por “mais um chatbot”, mas por um assistente conectado à fonte de verdade da operação — o próprio ERP.

O que ainda precisa de cautela

Nem toda promessa de “IA no ERP” se sustenta na prática. Vale registrar isso com a mesma honestidade que se usa para vender a ideia:

  • A IA só é boa quanto os dados que ela lê. Se a base do ERP tem cadastro incompleto, lançamento errado ou processo mal seguido, a resposta da IA herda esse problema — só que agora com aparência de autoridade.
  • Implantação de ERP já é historicamente difícil. Setenta por cento das implantações de ERP não atingem os objetivos originais (fonte: pesquisa citada por Gigacatalyst) — jogar uma camada de IA em cima de uma base mal implantada não resolve isso, só adia o problema.
  • Nem toda “IA” embarcada é igual. Há uma diferença grande entre uma funcionalidade de IA genérica, colada por cima do sistema, e uma que nasce integrada ao dado nativo do ERP. A pergunta que vale fazer a qualquer fornecedor é: essa IA lê meus dados de verdade, ou só parece que sim?

Um exemplo prático: a LIA, dentro do EME4

Voltando à pergunta da seção anterior — “essa IA lê meus dados de verdade, ou só parece que sim?” — vale usar um exemplo concreto para responder. Na Datainfo, essa camada de inteligência artificial já está presente no EME4 através da LIA. Ela consulta os dados do próprio ERP e responde perguntas em linguagem natural, sem que o usuário precise sair da tela onde já trabalha todos os dias.

Na prática, isso significa perguntar “como estão as vendas por região esse mês?” e receber um resumo direto — não um relatório para interpretar, uma resposta para usar. A LIA também explica o que está por trás de um indicador, aponta tendências e comparações entre períodos, e consegue montar um resumo executivo do dia em poucas linhas.

O princípio por trás disso é simples: quanto menor a distância entre a pergunta e a resposta, mais rápida é a decisão. E decisão rápida, hoje, é vantagem competitiva.

Por que isso importa agora

Nenhuma empresa toma uma decisão melhor só porque tem mais dados. Ela toma uma decisão melhor quando consegue enxergar o que aqueles dados significam, no momento em que precisa decidir — não depois de um relatório pronto, não depois de pedir para alguém do time olhar a planilha.

Os números mostram um mercado brasileiro que ainda está no início dessa curva — o que é, ao mesmo tempo, um sinal de quanto essa mudança ainda vai crescer, e uma janela para quem sair na frente. É essa a promessa da IA aplicada a sistemas de gestão: não é sobre automatizar tudo, é sobre encurtar o caminho entre ter o dado e entender o dado.


Quer ver como isso funciona dentro do EME4? Fale com o nosso time comercial e conheça o EME4 Indicadores com a LIA integrada.

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